Nunca digas adeus, mas tu disseste-me.
Nunca digas nunca, mas tu disseste até nunca mais.
Não foi assim, foi até um dia. Mas sabia que para mim era
naquele dia e não num qualquer.
Eu procurei adiar o luto e, dia após dia, ele parecia longe.
Parece que ainda luto contra ele e hoje sei:
não há dia mais longo do que o dia em que começa um luto.
Não há dia que não pense na vida. Não na que levo agora, que
essa é muito boa, mas naquela que eu podia ter agora.
Não ia ser fácil, eu sei, e sabia disso. Ao contrário de ti
eu pensei bem no passo que ia dar.
Mas era a que eu queria, de coração!
A que eu ia amar, a teu lado.
Fosses tu o jovem que eu ainda via, ou o velhinho que eu
imaginava.
Para mim ias ser sempre Lindo e Maravilhoso, como no dia em
que te vi pela primeira vez.
Um rezingão com mau feitio que eu ia adorar.
Eu pensava nisso, tu não?
Imaginava-me a teu lado. A trabalhar árduo para viver a teu
lado.
Sim, porque não ia ser fácil. Mesmo assim era o que eu
queria. O que eu mais queria.
O que eu desejava bem forte, lá dentro naquela parte de nós,
que segundo dizem, dita os sentimentos, e a que muitos chamam de coração.
Aí, eu agora só me preocupo com a tensão, essa que sobe
sempre que me tentas contactar.
Como podes fazê-lo se um dia desististe de tudo?
Não! Não posso ignorar isso, não consigo. Talvez esteja
errada. Talvez esteja certa.
Errada porque não consigo perdoar e sei que é mau. Não pela
religião, que não professo nenhuma, mas porque me faz mal à saúde (e ao
coração).
Certa porque aprendi em criança, que quem não se sente não é
filho de boa gente, e eu sou filha dos meus pais que são muito boas pessoas.
Simples por vezes, difícil na maior parte das vezes. Viver
custa e desde aquele dia custa mais.
É um luto que teima em não acabar. Sei que não devia, mas as
palavras são o meu único refúgio. Se não puder escrever, que não possa mais nada.
Porque falar-te é que NUNCA MAIS.
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