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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Quatro (longos) anos depois...





22 de Dezembro, quase a chegar ao Natal. Eram inúmeros os emails que ela recebia com mensagens e votos natalícios. Já não suportava tanta doçura, mas o que gostaria mesmo era que essa festa ocorresse umas três ou quatro vezes no ano. Isso da alegria, movimento e consumo sempre faz bem a muitos.
Ela recebeu um email, com os votos de feliz natal e de um bom novo ano, para ela e para a família, assinado por "pesssoa conhecida". Claro que ao olhar para o email do outlook, criado, certamente, para o efeito, ela reconheceu o remetente. Ficou furiosa e mil e um sentimentos a acolheram. Não estava à espera de uma mensagem daquelas e, muito menos, de uma pessoa tão ordinária e covarde. Que tinha todos os defeitos e mais alguns, que ela não teve, felizmente, oportunidade de conhecer mais intimamente. Realmente, é difícil perceber o ser humano. Alguém que fez o que fez e, quatro anos e alguns meses depois do sucedido, tem a coragem ou o atrevimento de a incomodar com uma mensagem daquelas. O mínimo que havia a fazer: era um pedido de desculpas; embora, não apagassem o passado mostrariam que ele tinha consciência do que fizera.
Ela ainda ficou, por momentos, sem saber o que fazer, mas o ideal era ignorar e esperar que ele não a voltasse a incomodar. Daquele ser ela só queria distância. Não a distância física que existia entre eles, de milhares de quilómetros, mas, sim, a distância de um esquecimento. Ela queria esquecer o que na realidade um dia tinha existido entre eles. O bom e o mau. Esquecer era uma acção impossível e isso seria, também, apagar parte da vida prazerosa e de momentos felizes mas, pelo menos, esquecer que um dia tinha dedicado a vida a um homem que, de um segundo para o outro, a abandonou à sua sorte, longe da sua realidade e da sua casa, desprezou, humilhou e ameaçou.
Se pudesse ela teria apagado da sua vida, os quatro anos em que o conheceu e se dedicou a ele. Mas, naquele momento, passados quatro anos da ruptura, ela desejava que ele a esquecesse. Ela ainda tinha a consciência de estar a terminar um luto, longo e demorado.
Quatro anos era o ciclo que dividia a vida para eles. Durante quatro anos conheceram-se e terminaram da forma mais abrupta possível. Quatro anos depois ele contacta-a. Talvez sejam precisos mais (alguns) quatro anos para ele perceber o que fez, ou que ao perdê-la nunca mais a voltará a ter - nem que seja num simples email.

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