22 de Dezembro,
quase a chegar ao Natal. Eram inúmeros os emails que ela recebia com mensagens
e votos natalícios. Já não suportava tanta doçura, mas o que gostaria
mesmo era que essa festa ocorresse umas três ou quatro vezes no ano. Isso da
alegria, movimento e consumo sempre faz bem a muitos.
Ela recebeu um
email, com os votos de feliz natal e de um bom novo ano, para ela e para a família, assinado por "pesssoa
conhecida". Claro que ao olhar para o email do outlook, criado, certamente,
para o efeito, ela reconheceu o remetente. Ficou furiosa e mil e um sentimentos
a acolheram. Não estava à espera de uma mensagem daquelas e, muito menos, de
uma pessoa tão ordinária e covarde. Que tinha todos os defeitos e mais alguns, que ela não
teve, felizmente, oportunidade de conhecer mais intimamente. Realmente, é difícil
perceber o ser humano. Alguém que fez o que fez e, quatro anos e alguns meses
depois do sucedido, tem a coragem ou o atrevimento de a incomodar com uma
mensagem daquelas. O mínimo que havia a fazer: era um pedido de desculpas; embora, não
apagassem o passado mostrariam que ele tinha consciência do que fizera.
Ela ainda ficou,
por momentos, sem saber o que fazer, mas o ideal era ignorar e esperar que ele
não a voltasse a incomodar. Daquele ser ela só queria distância. Não a distância
física que existia entre eles, de milhares de quilómetros, mas, sim, a distância
de um esquecimento. Ela queria esquecer o que na realidade um dia tinha
existido entre eles. O bom e o mau. Esquecer era uma acção impossível e isso
seria, também, apagar parte da vida prazerosa e de momentos felizes mas, pelo
menos, esquecer que um dia tinha dedicado a vida a um homem que, de um segundo
para o outro, a abandonou à sua sorte, longe da sua realidade e da sua casa, desprezou,
humilhou e ameaçou.
Se pudesse ela
teria apagado da sua vida, os quatro anos em que o conheceu e se dedicou a ele.
Mas, naquele momento, passados quatro anos da ruptura, ela desejava que ele a
esquecesse. Ela ainda tinha a consciência de estar a terminar um luto, longo e
demorado.
Quatro anos era o ciclo que dividia a vida para
eles. Durante quatro anos conheceram-se e terminaram da forma mais abrupta
possível. Quatro anos depois ele contacta-a. Talvez sejam precisos mais (alguns)
quatro anos para ele perceber o que fez, ou que ao perdê-la nunca mais a
voltará a ter - nem que seja num simples email.

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